Sobre o artista Jorge Costa Pinto

Jorge Costa Pinto em Mar Grande com sua esposa e "musa inspiradora" Vera em 1974

Jorge Costa Pinto nasceu em Salvador, Bahia, em 07 de outubro de 1916, filho de Joaquim Espinheira Costa Pinto e Anna Magalhães Aguiar Costa Pinto.

As famílias Aguiar e Costa Pinto fazem parte do rol das chamadas “famílias tradicionais” de Salvador, cujas histórias remontam aos primeiros anos da colonização portuguesa no Brasil. Joaquim Costa Pinto foi um próspero comerciante, um dos dirigentes da famosa Casa Magalhães, no Comércio e de outros empreendimentos de sucesso, como a Estrada de Ferro Nazaré, além de ter sido um dos fundadores do apreciado time Esporte Clube Vitória. Infelizmente, faleceu muito jovem, aos 36 anos, deixando Jorge com 8 anos e seu irmão Renato com 12 anos. Um fato curioso – seu falecimento se deu no dia 21 de fevereiro de 1925, sábado de Carnaval, tendo tido como consequência o cancelamento do tradicional Baile do Clube Bahiano de Tênis, do qual havia sido Presidente.

Jorge encontrou em Arthur Rodrigues de Moraes, casado com sua tia Maria Adelaide Costa Pinto de Moraes e sócio do seu pai, o substituto paterno para preencher os momentos de apoio e orientação perdidos com a morte prematura do pai biológico.

Já rapaz, iniciou os estudos de Direito no curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Bahia, onde se diplomou em 1938. Sua carreira como advogado registra momentos de ascensão e grande sucesso. Estagiou com uma das figuras mais proeminentes do cenário empresarial baiano – Fernando Menezes de Góes, no escritório do jurista Marques dos Reis. Algum tempo depois, Fernando Góes viria a ser convidado por Carlos Costa Pinto para assumir o Banco da Bahia; juntamente com Clemente Mariani, a dupla logrou alçar o Banco a grande notoriedade local e nacional.

Em 1947, teve a oportunidade de fazer parte da equipe comandada pelo Professor Orlando Gomes, chefe da Assessoria Jurídica da Federação do Comércio, fundada por Arthur Fraga naquele ano.

Posteriormente, tornou-se famoso o escritório de advocacia que Jorge formou com o seu colega de turma Barachisio Lisboa, Carlos Eduardo da Rocha, Jorge Fernandes Figueira e José Gomes Santos Cruz, os dois últimos, futuros desembargadores. Mais tarde, o escritório, que funcionou no sexto andar do edifício sede do Banco da Bahia, contou com a participação de Pedro Manso Cabral. O escritório atraiu um seleto grupo de empresas e de empresários, o que garantiu ao futuro pintor, uma vida atribulada entre contatos e providências as mais variadas.

Em 07 de outubro de 1942, Jorge contraiu núpcias com a formosa senhorita Vera Motta Fraga, filha de Arthur Fraga e Gilette Motta Fraga. A cerimônia religiosa foi realizada na capela da residência cardinalícia no Campo Grande, oficiada pelo Arcebispo Dom Augusto Álvaro da Silva e seguida de almoço na residência do pai da noiva. O casal teve dois filhos: Arthur Jorge Costa Pinto, nascido em 1950 e Ronaldo Costa Pinto, nascido em 1957, além de uma “filha pelo coração”, a sobrinha Sandra Maria Gonzaga, nascida em 1942.

Sua paixão pela pintura despontou cedo, pois, mesmo jovem e ainda estudante de Direito, frequentou o curso livre da Escola de Belas Artes, além do ateliê de Alberto Valença, pintor baiano e professor da Escola. Por muitos anos pintou e desenhou em silêncio, pesquisando várias técnicas, enquanto desempenhava seu papel de advogado ocupado em atender inúmeros clientes.

Sua inserção no setor das Artes deu-se graças a dois personagens relevantes na sua vida: o amigo de longa data Humberto Peixoto, outro apaixonado pela pintura, que, conhecedor do seu trabalho, numa manhã de sábado, em março de 1965, apreciou uma exposição informal de vários quadros numa visita à residência do advogado-pintor, o que lhe trouxe inspiração para exercer o papel de articulador junto a Adam Firnekaes, diretor do ICBA - Instituto Cultural Brasil Alemanha, por ele convidado para conhecer as obras já amadurecidas após anos de pesquisas. Sempre relutante, Jorge rendeu-se aos argumentos do amigo e aceitou realizar a sua primeira mostra pública em junho de 1965, no ICBA. Pessoas destacadas da sociedade baiana, poetas, escritores e artistas que compunham a elite cultural da cidade, além de representantes do meio empresarial acorreram em massa ao ICBA para conhecer o talento que despontava timidamente na Salvador - padroeira das artes. Graças ao sucesso da primeira exposição, outras se seguiram, em destacadas galerias. No ano seguinte, foi a vez da Galeria Atrium, em São Paulo, a convite do renomado artista plástico Clovis Graciano, mais uma vez com expressiva participação do público amante das belas artes, inclusive com a presença do internacionalmente festejado colecionador Assis Chateaubriand que, já debilitado, em cadeira de rodas, prestigiou o artista baiano.

No mesmo ano de 1966, expôs mais uma vez em Salvador, na Galeria Querino e na Voltaico, no Rio de Janeiro, em 1969, quando teve o cartaz de apresentação confeccionado pelo famoso gravador e escultor baiano Emanoel Araújo. Em 1971, esteve na Galeria Guignard, em Belo Horizonte e no Museu de Arte Moderna da Bahia, em 1972. Participou da mostra inaugural da galeria de exposições transitórias do Museu do Estado da Bahia, a convite do seu diretor, o crítico Carlos Eduardo da Rocha, no claustro da Pousada do Carmo, em 1974. Em 1977, expôs na Galeria Tempo, em Salvador. A essa altura, a carreira de advogado já tinha sido abandonada, desde 1971. Finalmente, em seu lugar, emergiu o pintor, o “Mestre Pintor”, nas palavras do escritor Jorge Amado. Jorge fechou o escritório de advocacia e abriu o ateliê de pintor para todos aqueles que apreciavam o seu trabalho.

Em 1983, a exposição individual na Galeria Época reuniu um grande número de pessoas expressivas do mundo intelectual e da sociedade baiana. Em 1985, participou do 35º Salão Oficial de Pernambuco, em Recife, assim como da Coletiva de Artistas Baianos em Brasília, em 1986, numa promoção da Construtora Odebrecht, na Casa da Manchete. No ano de 1991, expôs individualmente na N.R. Galeria e também no Núcleo de Artes do Desenbanco, numa homenagem aos artistas da década de 1960.

Entre outras exposições coletivas, vale ressaltar a 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas (1966), a mostra 150 anos de Pintura na Bahia, no Museu de Arte Moderna da Bahia (1973) e também em 1976, numa outra mostra de artistas baianos. Foi ainda membro do júri dos V e VI Salões Baianos de Belas Artes, nas divisões Geral e de Arte Moderna, em 1955 e 1956.

Sobre a sua obra, manifestaram-se, analisando-a, vários críticos e escritores: Carlos Eduardo da Rocha, Antônio Celestino, Odorico Tavares, Jorge Amado, Matilde Matos, todos baianos, além de Quirino da Silva e A.P.D’Horta de São Paulo, Antônio Bento do Rio de Janeiro e Mari’Stela Tristão de Belo Horizonte.

Foi alvo de reportagens a cores nas revistas Manchete, o Cruzeiro, Casa e Jardim e outras. Sobre ele foi feito um documentário a cores, produzido pela Sani Filmes do cineasta Oscar Santana.

Possui verbetes no Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual (1969:427) e no Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos, de Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala, editado pelo Ministério de Educação e Cultura (1977:418). Jorge Amado dedicou-lhe um capítulo no livro Bahia de Todos os Santos (1977:304).

Tendo iniciado com aquarelas, a partir de 1966 deu preferência à tinta acrílica sobre tela. Firmando-se como paisagista, sua caligrafia própria foi intitulada por Carlos Eduardo da Rocha como “construtivismo geométrico”. Seus quadros pertencem atualmente a coleções particulares, mas também a galerias, casas de cultura, museus, entidades públicas e empresas.

Tendo exposto pela última vez em 1991, veio a falecer no dia 20 de novembro de 1993, aos 77 anos, em sua residência no bairro de Ondina, em Salvador.

No ano do seu falecimento, sua família já se encontrava consideravelmente aumentada: seu filho Arthur Jorge estava casado com Lívia Pedreira Costa Pinto, casal que o presenteou com três netos – os talentosos Jorge Neto, André e Mariana e o filho caçula, Ronaldo, casado com Lilian de Andrade Patiri Costa Pinto, trouxe ao mundo a Renata.

Alguns anos após a sua morte, em 1999, na mostra coletiva Cem Artistas Plásticos da Bahia, realizada no Museu de Arte Sacra, em Salvador, numa iniciativa da Galeria Prova do Artista e patrocínio da Copene, um de seus quadros foi exposto, o que pode ser admirado na página 73 do livro especialmente produzido pela Copene para a ocasião.

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GALERIA ÉPOCA

O artista Jorge Costa Pinto e sua esposa Vera em exposição de 1983 na Época Galeria de Arte, no Rio Vermelho - Salvador, BA.